Terça-feira, Dezembro 01, 2009

Infância

Tenho saudade do tempo em que era criança. Dos dias quentes e tranqüilos ao seu lado. Da brisa abafada e confortante. Da sensação de estar bem de modo perene e incondicional. Saudades de algo que não me lembro, mas que certamente está perdido em algum lugar da minha memória. Saudade dolorida e magoada, como se houvessem me roubado o melhor dos anos. Saudade que causa um quê de autopiedade, mas que é sincera, ingênua e intensa. Saudade do tempo em que nada me consumia. De quando minha garganta não impedia a voz. Do existir sem medo da reprimenda, do abandono, da solidão. De ser apenas criança. Saudade de uma vida que nunca tive, do que poderia ter sido ou do que gostaria que fosse. Saudade daqueles que foram e da ausência dos que ainda estão. Saudade da aventura, da possibilidade de fazer diferente, da liberdade do ir-e-vir e do sonho da conquista do amanhã. Saudade melancólica e apegada a um passado cuja existência é duvidosa. Saudade que sufoca, alimenta e cura, de forma paradoxal e inexorável. Saudade. Apenas saudade.

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