Você está agitado. Nada cessa. O mundo ao seu redor está explodindo. Mas você pára. É como se tudo voasse lentamente. É como se uma música começasse a tocar e todos os barulhos da vida pós-moderna sumissem. Um solo de guitarra. Uma voz estremecida. Um nó na garganta. Você olha para o céu. Está cinza. Um pássaro branco voa em sua direção, lentamente. Você olha o rosto das pessoas. Estão todos congelados. Você derruba uma lágrima congelada. Ela cai no chão e quebra. A música acaba. Os ruídos desagradáveis voltam. Você grita. Muito alto. Tudo está acelerado. Você fecha os olhos. Abre-os. O dia já passou. Você está dentro de uma banheira quentinha. O som do piano ao fundo. Suave. Você relaxa. Está no abrigo da sua casa. Daquela que você chama de lar. Uma pessoa aparece em sua frente. Parece familiar. Seus olhos são conhecidos. Ela sorri. Você retribui. Ela se aproxima. Beija docemente sua testa. Você se enche de júbilo. É aquela pessoa. Você derruba mais uma lágrima. Desta vez, ela se mistura à água quente que lhe envolve. O amor cura. E manifesta-se nos gestos mais pequenos.
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