A terra à sua volta está seca como palha. Crise de abstinência. Procura desesperada no céu alguma nuvem cinzenta. Tudo azul. Começa a fibrilar. Suas folhas definham lentamente. Sente o calor subir do chão, queimando-lhe o delicado caule. Estica o pescoço esperando insistentemente um raio que lhe traga boas-novas. Um pássaro voa e pinga-lhe uma gota. A chuva está próxima. Não cabe em si. Delira. A tempestade finalmente cai. O êxtase cobre seu verde. A fumaça sobe, dando lugar à sensação molhada e fresca. Suspira tranquila. Não há maior vício que a própria existência.
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